terça-feira, 1 de janeiro de 2002

Descortinando o século XIX

Durante os preparativos das comemorações para os “500 Anos” do Brasil, ao ser indagado por um jornalista sobre as eventuais lacunas existentes na historiografia brasileira, o historiador Evaldo Cabral de Melo[1] respondeu com a seguinte metáfora: “a historiografia brasileira é um buraco, apenas há pontos que são mais aterrados”. Em Sergipe, a historiografia do século XIX também pode ser caracterizada por essa metáfora, já que determinados períodos e temáticas parecem desafiar o tempo e os historiadores locais, impossibilitando, por exemplo, a produção de uma síntese que não trate exclusivamente de matéria política.
Um dos motivos para o desconhecimento do século XIX, e aqui independem os marcos inicial e final que se queiram adotar (1790, 1808, 1820; 1889, 1906, 1912), foi a institucionalização “tardia” do campo histórico, seja em termos de historiografia savant, seja no modelo universitário. Em Sergipe, a primeira tentativa de escrita científica deu-se em 1891 com a História de Sergipe de Felisbelo Freire. Além de tardia, a escrita de Felisbelo nasceu impregnada de uma característica científica do período que era a busca (e, sobretudo, a crença) da objetividade absoluta. Esse axioma da história-ciência fez com que Felisbelo abandonasse várias facetas da experiência sergipana, tão bem vivenciadas pelo médico, político e literato, entre os anos 1855 e 1880, de dentro e fora do Estado, em proveito do método científico. O suposto distanciamento temporal asseguraria, no entender da época, a imparcialidade do escritor. Felizmente, o seu irmão, Laudelino Freire, não seguiu a regra. Graças a esse deslize epistemológico, problemas como a epidemia do cólera e a vivência política republicana transformaram-se em matéria de estudo do livro didático de História de Sergipe voltado para o ensino primário em 1896.[2]
Os historiadores do século XX, notadamente os da universidade, têm lançado muitas mãos de terra nos buracos do século XIX. Maria Thetis Nunes ensaiou uma síntese sobre o período 1820/1840; José Calasans e a própria Thetis Nunes estudaram a instrução pública; Carvalho Lima Júnior e o Padre Aurélio Vasconcelos de Almeida, a representação política na província e na corte; Josué Modesto dos Passos Subrinho e Maria da Glória Santana Almeida, a dinâmica da economia; Antônio Samarone e Amâncio Cardoso, as políticas de saúde pública e o impacto social das epidemias de cólera; Maria Neli Santos, aspectos urbanos e movimento abolicionista em Aracaju; Beatriz Góis Dantas, a experiência indígena; e, Jackson da Silva Lima, a produção literária. O esforço desses historiadores fez com que os alunos do curso de licenciatura em história diminuíssem o desconhecimento sobre o final do século XIX, principalmente, no que diz respeito aos intelectuais, instituições de saúde, escravos e ex-escravos, práticas religiosas, imprensa, teatro, pintura, e recrutamento para a Guerra do Paraguai.
Todavia, o retard da institucionalização do campo (incipiente no IHGS a partir de 1912 e consistente no DHI em meados de 1970) e o pretenso distanciamento científico não devem induzir-nos a pensar o século da “autonomia” sergipana como tábula rasa, já que a compreensão do passado é essencial a qualquer idéia de identidade.[3] Essa assertiva, sim, leva à tese de que sempre houve historiadores, no século XIX, inclusive. O problema (para alguns) a ser enfrentado é que na ausência de uma história-ciência – ou de um conhecimento “inteligível” –, vigorava um “saber sensível”,[4] uma história-crônica, descomprometida, segundo Nobre de Lacerda,[5] com o esmerilhamento dos fatos nos seus menores detalhes, com a investigação das causas primeiras para se apurar a verdade. Era a chamada história in statu nascendi, na classificação de José Honório Rodrigues. Uma narrativa em forma de relação, apontamento, memória, carta e diário, onde o autor estava desprovido da dimensão temporal a posteriori que tão bem caracteriza o trabalho do historiador stricto sensu.[6]
Essa memorialística produzida sobre Sergipe vem sendo “descoberta” gradativamente desde a fundação dos Institutos Históricos.[7] Na Revista do IHGB, por exemplo, foi publicada a Informação sobre a província de Sergipe em 1821, de José Antônio Fernandes (1892). O próprio IHGS (1913) iniciou a sua Revista reeditando a Informação e os Apontamentos sobre alguns atos da vida pública do cidadão brasileiro de José Pinto de Carvalho (1914). O veículo do Instituto também transcreveu A visita do Imperador Pedro II à Estância, de José da Costa Lisboa Júnior (1860), os Apontamentos históricos e Topográficos sobre a Província de Sergipe, de Antônio José da Silva Travassos (1860) e a Revista de Aracaju (1943) republicou a Memória sobre a Capitania de Sergipe de Marcos Antônio Souza (1808).[8]
Nas últimas duas décadas, Maria Thetis Nunes (1978) tem divulgado várias peças, integrantes do acervo do IHGB e da Biblioteca Nacional.[9] Nos anexos do seu livro História de Sergipe a partir de 1820 foram transcritos a Relação abreviada da Cidade de Sergipe d’El Rey, de José Teixeira da Mata Bacelar e a Notícia topográfica da província de Sergipe, de Inácio Antônio Dormundo. O IGHB tem dado a sua contribuição reeditando por duas vezes as Viagens e observações de um brasileiro do lagartense Antônio Muniz de Souza que trata da “revolução” do Brasil em 1821. A primeira saiu na Revista (1945), a segunda ganhou a forma de livro e foi lançada em 2001. Outro texto significativo que trata do mesmo tema e período não teve a mesma sorte. A Memória histórica e documentada dos sucessos acontecidos em Sergipe, de Carlos César Burlamaque (1820) ainda circula em cópias xérox entre nós.[10]
Apesar do esforço das instituições e dos pesquisadores para divulgar essas memórias, permanecem inéditos os manuscritos Relato do presidente do governo de Sergipe, dos acontecimentos havidos na província (1831) e Província de Sergipe: apontamentos para a sua história (1849). Inéditos e com paradeiro desconhecido estão os Apontamentos da província de Sergipe, de Martinho de Freitas Vieira de Mello; Corografia do município de Lagarto, de Eutíquio de Novais Lins; Memória sobre a vila de Propriá desde a sua origem até hoje, de Antônio José Pereira Guimarães (1859); e a Noticia histórica sobre o município de Divina Pastora: monografia oferecida ao IHGBA por Alfredo Acioli do Prado (1874/1903).
Pensando em evitar a expansão dos “inéditos e desconhecidos”, o Cadernos UFS: Direito resolveu trazer à lume o Memorial histórico da política da província de Sergipe, de Antônio José da Silva Travassos. A memória faz parte desse conjunto inventariado que, por várias formas, objetivos e autores, tentou descortinar a experiência local no tempo e a “evolução” da paisagem nativa no século XIX. O manuscrito finalizado em 1866 expressa a tentativa de indicar quais os investimentos que o Estado (brasileiro) deveria promover no sentido de estimular o progresso de Sergipe. Na memória de um nativo está também a possibilidade de construir um século XIX, com a idéia iluminista de progresso linear e tendo o Estado como centro da vida social. Os modelos de distribuição da matéria, longe de perderem a vitalidade no seu tempo, ganharam espaço até meados do século seguinte. As paixões e intenções, por sua vez, continuaram comandando o curso da história cem anos depois de produzidos.
A iniciativa de publicar documentos memorialísticos visa, portanto, conservar as peças e facilitar o acesso aos textos, estimulando os pesquisadores do século XXI a jogarem alguns punhados de terra nos buracos do século XIX. Por outro lado, ao fazer circular o material em outros Estados do Brasil, o Cadernos UFS: Direito alimenta a possibilidade de facilitar o diálogo entre sergipanos e vários pesquisadores interessados na temática. E esse diálogo, por conseguinte, pode trazer novos elementos para a compreensão do século da “emancipação”. Penso que é partindo da revisão simultânea e sistemática dessa memorialística que se pode pensar nas possibilidades de uma síntese sobre a experiência local no século XIX. É também do exame dessas obras que se poderá avaliar e compreender a suposta passagem da narrativa histórica sergipana do seu status de crônica para o caráter de ciência.

Um pouco do autor
José Antônio da Silva Travassos (1804/1872) é um daqueles personagens da Regência e do Segundo Reinado (a exemplo do seu adversário, Sebastião de Almeida Boto) muito citado e pouco estudado da história local. Sua notoriedade provém da expressiva experiência de vida destacada em três aspectos pelos poucos autores que tentaram compreendê-lo: a atividade de empreendedor, político e literato.[11]
Na literatura historiográfica, o nobre o santamarense aparece ligado às tentativas progressistas de melhoramento econômico da Província. Foi seu o projeto de interligar os rios Japaratuba e Pomonga em 1828 e 1832[12] embora a canalização representasse apenas uma parte de um plano que previa a construção de uma grande via fluvial cortando todo o território e unindo os rios São Francisco e Real.[13]
O político Travassos soube costurar muito bem sua vocação de advogado às atividades de publicista e de benfeitor, principalmente em Santo Amaro.[14] Ficou para a memória dos pósteros como importante líder do partido Camondongo (depois, Liberal), marcando a cor dessa agremiação em eventos decisivos da vida política local como a questão da transferência da sede da vila de Santo Amaro para Maruim – da qual se opôs veementemente (1825); a luta contra as fraudes eleitorais promovidas pelo grupo político de Sebastião Gaspar de Almeida Boto – que resultou no episódio conhecido como “Revolução de Santo Amaro” (1836);[15] e, ainda, como deputado provincial, colocando-se contrário ao projeto de transferência da capital da Província de São Cristóvão para Aracaju (1855).[16]
Como literato[17], Travassos está inserido em uma das primeiras crises sergipanas de identidade[18] no século XIX. Um momento de “individualidade histórica”, “algo que começava a esboçar-se como uma necessidade sentida pelas elites locais ciosas de marcar a distintividade da Província de Sergipe, que somente em 1820, havia se tornado independente da Bahia”.[19] Uma busca por identidade evidenciada, sobretudo, através produção de textos que pudessem inventar um passado condizente com as perspectivas de progresso local. Nesse sentido, é exemplar o seu mais conhecido trabalho – Apontamentos históricos e topográficos da província de Sergipe (1860) que, “enquanto narrativa histórica, provê a sociedade de uma representação sobre suas origens e evolução, apontando para uma identidade social que diferencia Sergipe de outras províncias.” É também exemplar, afirma Beatriz Dantas, “como fonte de referência e inspiração para artistas e escritores de diferentes matizes, constituindo-se ainda num reservatório de idéias e imagens [sobre os índios, principalmente] que serão trabalhadas transformando-se em símbolos.”[20]
Os Apontamentos de Travassos informam sobre a geografia e história de Sergipe, enfatizando os aspectos políticos, jurídicos, religiosos e as realizações administrativas de cada governo entre os anos 1590 e 1859. O texto foi oferecido ao Imperador Pedro II para suprir a ausência de informações topográficas e de cartas sobre o território e a hidrografia da Província. Era também intenção de Travassos corrigir as descrições que os diferentes "tratados de geografia" haviam fornecido anteriormente. O seu trabalho seria então "mais exato, devido, não só ao conhecimento e inspeção ocular, como ao exame de documentos particulares, e oficiais existentes nos cartórios mais antigos, e nos mais antigos arquivos das Municipalidades da Província."[21] Escrito em 1860, o texto fora publicado inicialmente em 1875 por João José do Monte, neto do autor. A obra permanece ainda como referência fundamental para os estudos históricos já que representa o primeiro grande esforço de síntese da historiografia sergipana pós-autonomia. Entretanto, para Calazans, a parte referente ao período colonial "contém alguns equívocos como, por exemplo, a afirmação de que os holandeses edificaram, em S. Cristóvão, a igreja matriz, os conventos do Carmo e São Francisco, bem como a igreja e a casa da Misericórdia, acrescentando que no frontispício da matriz achavam-se as armas dos holandeses, raspadas por ocasião da independência do Brasil".[22] Outra deficiência do texto, apontada por Calazans e pelos historiadores que o têm consultado, é a falta de referências sobre as fontes utilizadas, principalmente, no que diz respeito ao período anterior à conquista, aos nomes, domínios e destinos dos grupos e chefes indígenas dos primeiros habitantes do lugar.[23]
O Memorial histórico da política da província de Sergipe, transcrito a seguir, foi produzido (ou finalizado) seis anos após os Apontamentos. O documento abrange o período 1822/1866 e permite, assim, que o ledor contemporâneo efetue um curioso paralelo entre os dois textos. Enquanto os Apontamentos fazem síntese da experiência sergipana, o Memorial analisa somente um tipo de vivência, em particular, a vivência que mais tem sido destacada sobre Travassos: a política. Enquanto nos Apontamentos o autor procura “seduzir o Imperador para seu projeto [econômico], do qual se beneficiará como fazendeiro e potencial contratante”[24] no Memorial está implícita a idéia de “guiar” o novo presidente de Sergipe para o projeto político pessoal do santamarense.
O esforço narrativo de Travassos – relativo ao Memorial - tem, assim, grande importância para a compreensão da história local referente ao século XIX. Precisamente sob esse aspecto, seu caráter de fonte histórica acerca da atividade política, o Memorial foi conhecido até hoje e utilizado pelas historiadoras Maria Thetis Nunes e Ibarê Dantas e Terezinha Oliva, sendo que a primeira é a responsável pela cópia e divulgação do manuscrito entre os sócios do IHGS. Nessa brevíssima “introdução ao Memorial”, o manuscrito também é encarado como “fonte” histórica. Todavia, uma fonte historiográfica explorada em seus aspectos enunciativos. O Memorial informa sobre as condições de possibilidade da escrita da história na segunda metade do século XIX e é, ao mesmo tempo, um representativo testemunho das formas de se pensar e praticar a política numa província de “quarta classe” como era o caso de Sergipe na década de 1850.[25] Isso implica compreender que o objetivo dessa “introdução” não é tanto informar “o que realmente aconteceu” em Sergipe, mas estudar “como as coisas foram contadas” através do manuscrito e quais os desdobramentos dessa reflexão para o ofício do historiador no século XXI.

Historiografia sobre política
Memorial é uma peça literária do gênero narrativo em prosa. Sua fonte é, basicamente, a memória de quem “presenciou os acontecimentos ou neles tomou parte”.[26] No texto em análise, “as coisas dignas de memória” são as atividades relativas à conquista, ao exercício e a prática do poder,[27] prioritariamente, as trajetórias dos partidos políticos no Império. Além dos partidos, o manuscrito informa sobre a formação das juntas governativas, os processos de escolha dos governantes, a recepção e as dificuldades enfrentadas pelos enviados do Imperador, o regime das eleições para as Assembléias Provincial e Geral, os conflitos oriundos das eleições (revolução, sedição, fraude, coopitação, assassinato, prisão, rapto) e o papel da imprensa na vida política. A experiência política alinhavada no manuscrito também refere-se à repercussão, em Sergipe, de eventos de abrangência nacional, tais como: guerras de Independência; aclamação e abdicação de Pedro I; Guerra do Paraguai e as mudanças na legislação eleitoral do período. Em síntese, a expressão “política”, utilizada com maior frequência que a “história”, além de adjetivar partidos e facções, idéias e projetos, carrega o sentido de “conflito”, movimento e disputa.
Quanto à expressão “história”, embora contenha também a idéia de experiência (político-administrativa), serve para tipificar o gênero literário da obra (Memorial histórico), a exemplo do ocorrido com o trabalho anterior (Apontamentos históricos). Mas que tipo de historiografia era possível de ser produzida por um “fazendeiro rústico” na província de Sergipe em meados do século XIX? Uma “história narrativa” certamente, afirmariam os especialistas. Mas em que consistiria, então, a narrativa de Travasos sobre a atividade política em Sergipe?
O texto de Travassos contém todos os elementos de uma narrativa clássica (fatos, personagens, tempo, cenários, etc.) e “situações dramáticas” inerentes ao assunto trabalhado (a política – violação da lei, vingança, traição, disputa, etc.). Entretanto, não existem desfechos ou clímax na história política sergipana do Memorial. O texto se encerra abruptamente dando a impressão de estar inconcluso ou servir como anais.
A história acontece em cenários bastante conhecidos. É o vale do Vasa-barris e, mais freqüentemente, o vale do Cotinguiba que servem de pano de fundo para as intrigas entre os dois grupos partidários e, não raramente, entre ajuntamentos de grupos familiares. A seqüencia de nomeações, eleições, fraudes, deposições e fugas é anunciada por um narrador em terceira pessoa que de tudo entende e a todos conhece: do espírito vingativo de um personagem à incultura da elite econômica local. O narrador é “bem comportado” e organizado. Um nome, uma data, uma contribuição ao progresso de Sergipe, o clima de disputa entre facções dominantes e está pronta a “história” de determinado período de governo. Mas, a situação altera-se quando entra em cena um personagem chamado Comendador Travassos, por coincidência, o autor do Memorial. Nesses momentos, como a visita do Imperador Pedro II à Sergipe, o narrador permite-se uma longa digressão uma tanto “excêntrica da história” e dispara a teorizar sobre as causas do atraso da economia local, diagnosticando os erros dos grandes proprietários rurais e apontando soluções imediatas para os problemas relacionados à producão açucareira. Como já se disse, é um narrador “isento” quando se refere ao autor-personagem Comendador Travassos, citado uma dezena de vezes. Mas é, abertamente, um narrador liberal (mesmo partido do Comendador Travassos) quando relaciona os conservadores (partido da família dos Dias Coelho e dos Boto) à rapinagem, prisões ilegais, fraudes eleitorais e assassinatos.
No Memorial, o tempo histórico também acompanha, com bastante regularidade, o tempo da narrativa. A não ser, quando entram na trama os fatos que conformaram a Revolução de Santo Amaro a Guerra do Relógio, o momento da “conciliação” e a visita do Imperador, já citada. Coincidentemente, o personagem Comendador José Antônio da Silva Travassos teve aí participação efetiva (com excessão, pelo que se sabe até agora, da Guerra do Relógio). Nesses instantes, o cronômetro pára e o narrador tem tempo (espaço) livre para descrever os acontecimentos. Mas não se diga que tal fenômeno acontece em virtude da abundância das provas sobre determinados períodos (Travassos teria muito mais informações por ter vivenciado tais episódios). O próprio Comendador foi partícipe da transferência da Capital, fato dos mais polêmicos entre os políticos do período, divisor de águas tanto na história quanto na historiografia sobre a Província. Mas, nem por isso, o narrador – que de tudo entente e a todos conhece – explora a questão. A mudança da capital de São Cristóvão para Aracaju é assunto que ocupa duas linhas do Memorial, apenas. Para os novos historiadores, essa hipotética omissão do narrador poderá revelar páginas e páginas sobre a relação entre escrita da história e política no período em foco.

Historiografia e Política
O Memorial de Travasos está repleto de nomes, datas e ações sobre os acontecimentos políticos. Aos olhos do leitor especialista, no século XXI, a narrativa pode parecer monótona, enfadonha, enfim, desprazeroza. Típica do esforço autodidata de um homem “comum” do século XIX. Entretanto, aos olhos desse mesmo leitor, não devem escapar, as brevíssimas, porém, freqüentes intrusões do narrador que constituem ligeiras reflexões sobre as melhores formas de governar uma província com as características de Sergipe. A lição já é velha conhecida: “Pelos erros passados aprende-se a acertar no futuro”. Mas será que o texto dá mesmo “lições desinteressadas ao príncipe” (para o progresso da civilização local) ou é apenas um panegírico a sua própria ação na Província, um pedido de apoio, uma tentativa de aproximação do poder? Quem se aventurar a resolver tais problemas não deverá “pular” os dois parágrafos iniciais do manuscrito. Nesses trechos, o autor sintetiza o problema, justificativa, objeto, definição e função de dois tipos de conhecimento que ainda engatinhavam “como ciência” em outras plagas em meados do século XIX: a História e a Política. Vejamos, então, na palavra do próprio Travassos quais os elementos para o melhor conhecimento da relação entre esses dois saberes.

O Memorial inicia-se com uma espécie de missiva ao presidente:
1 O interesse que tem Vex.a pelo engrandeci-
2 mento e desenvolvimento particular d'esta Pro-
3 vincia, confiada á sua sabia Administração,
4 é afiançado pelo titulo que acaba de receber
5 de Delegado do Melhor dos Monarchas
6 Senhor Dom Pedro 2º, reunido ao lo-
7 gar distincto que V. Ex. a tem sabido conquis-
8 tar na lista da Magistratura Brasileira.
9 Mas um dos embaraços à vencer a realisa-
10 ção dos bons desejos que animão a V.Ex.a
11 principalmente em uma epocha que se
12 approxima a lucta eleitoral - é a falta de
13 conhecimentos detalhados das diferentes phases
14 politicas, pelas quaes tem a Provincia passa-
15 do, porque com isso é difficil acertar na esco-
16 lha e adopção de um plano, pelo qual se remo-
17 vão quaes quer embaraços que possão traser os
18 movimentos politicos ao desenvolvimento moral
19 e melhoramentos materiaes da mesma Pro-
20 vincia, como devem desejar os bons Sergi- [fl. 2]
21 panos.
22 Nestas circunstancias parece-me
23 que faria um serviço á minha Provincia
24 escrevendo alguns apontamentos sobre a sua
25 historia política e offerecendo-os á V. Ex.a
26 é o trabalho que se segue. Espero que
27 V.Ex. a se dignará de acceital-o, como pro-
28 va do desejo que nutro de auxiliar, com
29 fraco contingente de que sou capaz, as
30 vistas patrioticas de V. Ex. a.
31 De V. Ex.a
32 Subdito e reverente servo.
33 Um Sergipano. [fl.3]

Claro que as frases iniciais são elogiosas e, talvez, destituídas de comprovação (1-8). A forma com que se processava a escolha dos presidentes de província já é por demais conhecida sendo, portanto, pouco provável que o recém-nomeado José Pereira da Silva Moraes tivesse, de imediato, “interesse... pelo engrandecimento e desenvolvimento particular d’esta Província”. Mas, não há melhor protocolo para iniciar uma aproximação, senão atribuindo valores positivos ao desconhecido interlocutor.
As frases seguintes (9-14), além de anunciarem (como porta-voz não autorizado) a função última da Política (a arte de bem governar em benefício do bem comum) justificam a empreitada do Memorial: organizar os dados sobre o passado e dar a conhecer a experiência sergipana sob a ótica do político. O propósito do autor (15-21) é elaborar um adequado instrumento que permita ao governante uma perfeita compreensão do passado. Uma ferramenta que orientará o presidente nas suas intervenções no presente a fim de que sejam realizados os desejos dos “bons sergipanos”: o desenvolvimento, sobretudo, material da província de Sergipe (22-30).
Essas últimas frases também demarcam a papel do conhecimento histórico e, por consegüinte, a função do ofício do historiador além de apontar a sua posição de súdito, comandado, auxiliar, uma expécie de historiador-mor da província de Sergipe. Nesse sentido é necessário destacar o Memorial como inaugurador de um novo gênero na historiografia local do século XIX – a historiografia política (em contraste com a historiografia de síntese, conformada nos Apontamentos históricos e topográficos de Sergipe). Além disso, os determinantes anunciados pelo Memorial concedem certa razão a João Ribeiro e suas considerações sobre os espíritos de determinadas épocas que são incorporados pelos historiadores no seu ofício. O século XIX teria sido, então, um período onde a atividade política teria governado os destinos do homem (em contraste com o espírito religioso – anterior – e o espírito economicista – posterior).
Resta saber, como se comportarão esses dois tipos de conhecimento no transcorrer da narrativa. Resta saber também se os “conselhos ao príncipe” foram seguidos ao pé da letra. Se o conhecimento do passado foi o principal determinante para a ação política do Presidente Silva Moraes. E, ainda, se esse conhecimento histórico foi “bem produzido ou defeituoso” (lacunas, partidarismos) ao ponto de ser desprezado pelo governante ou de tê-lo feito errar em seu diagnóstico sobre o presente.
Responder a essas questões específicas foge ao escopo desse trabalho (o que de certa forma, torna o exame do manuscrito um pouco mais estimulante para o leitor). Mas vale deixar um exemplo de como o Memorial sugere relevantes problemas para a pesquisa da história local. Por hora basta citar uma “intrusão” do narrador onde se entrecruzam a ciência histórica e a Política. Um ponto em que são discutidas as causas e as possíveis saídas para o problema da crise econômica por qual passara a província de Sergipe no momento de elaboração do manuscrito. Constata o narrador que, naquele instante, Sergipe era o açúcar e necessitava da intervenção do poder central para reabilitar essa atividade produtiva. Todavia, para além da cantilena dos senhores de engenho do “norte agrário” que localizava a raiz do problema na falta de braços e de capitais, o narrador aponta a deficiência no “método de fabrico” e no “trabalho escravo”. Assim, toma partido pela modernização da atividade separando as esferas do cultivo e da indústria – mudança que será tentada a partir dos projetos de implantação de engenhos centrais uma década mais tarde (1875) – e esboça um discurso pela extinção do sistema escravocrata. Esses dois aspectos da economia provincial, a modernização da atividade açucareira e a reorganização do trabalho, já encontraram seus explicadores em Sergipe.[28] A existência desses novos textos permitiria, ao interessado, avaliar a pertinência dos “conselhos” do narrador ao presidente recém-chegado, ao mesmo tempo em que demonstraria quantas variáveis foram incorporadas ao processo histórico local que acabaram por condenar Sergipe à submissão político-econômica a outras províncias (à Bahia, sobretudo), apesar da “clarevidência” do político Travassos demonstrada no Memorial. Sendo assim, fará melhor proveito o interessado que, não priorizando o exame das capacidades preditivas do historiador Travassos, puder centrar seus estudos na apreciação das várias “intrusões” do narrador relativas, por exemplo, à mentalidade das elites políticas do período, ao grau de civilidade da população sergipana, ao poder de coerção exercido pela Bahia, ao nível de organização dos proprietários rurais, ao caráter antidespótico do partido Liberal entre outras.
***
Para os cânones em voga em meados do século XIX, na palavra do mestre do ofício,[29] a presença das ações (verbos) no pretérito indentifica o trabalho do historiador e a ocorrência das mesmas no presente do indicativo e no futuro (ainda que do pretérito) fazem escorregar a tarefa da ciência da História e o ofício do historiador para o campo da Política. Consequentemente, o Memorial, (como provavelmente outros textos do período) é uma expressão tanto da historiografia quanto da Política, no século XIX. Os dois campos disciplinares em formação na província guardam estreitas relações uma vez que a historiografia deseja compreender a “natureza” política da região, enquanto a Política tem por missão o aperfeiçoamento dessa última atividade para o “bem” da própria província. Ocorre que esse tipo de relação não é, certamente, tranqüila e linear. Não é uma simples troca de favores disciplinares. É muitas vezes um processo nervoso e, no Memorial, o principal indicador são as próprias intrusões do narrador.
A diferença entre esses dois “tempos”, o do conhecimento histórico e o do saber político, que só começa a ganhar alguma nitidez em Sergipe a partir dos anos 1880, já havia sido esboçada por Ranke quando afirmava que a ciência histórica “não possui o prestígio necessário para que possa fazer-se depender dela toda a ação política”.[30] Em outro contexto, mais um historicista também minimizava o poder de intervenção do historiadores na “realidade” informando sobre pluralidade de motivações que cercam a ação humana e, conseqüentemente, da irrepetibilidade dos “fatos históricos”.[31] O conflito esboçado “surdamente” no texto do Memorial entre a historiografia e a Política, estimula a reflexão sobre o papel do historiador no século XXI. Pensar o ofício em bases do Historia magistra vitae é, de certa forma, além de um anacronismo, empobrecer a função do conhecimento que, mesmo no século XIX, já apontava para uma tarefa muito mais modesta porém, relevante. A ciência histórica serve para dar a conhecer. Para reduzir a ignorância, o dogmatismo e a intolerância. Para fazer compreender que homens e comunidades constróem identidades. E que esse saber muito auxilia na convivência entre tais identidades na medida em as torna conhecidas em suas diferenças, principalmente. A ciência histórica no século XXI tem, por assim dizer, uma missão menos instrumental e muito mais humanista e civilizadora. Nisso reside o seu caráter de interventora do cotidiano das pessoas.

Para citar este texto
FREITAS, Itamar. Descortinando o século XIX. Cadernos UFS: Direito, São Cristóvão, v. 4, n. 2, p. 55-67, 2002.<http://itamarfo.blogspot.com/2010/10/descortinando-o-seculo-xix.html>.

Notas
[1] Melo, Evaldo Cabral. Folha de São Paulo, 12 set. 1999.
[2] Freire, Laudelino. História de Sergipe: resumo didático para o uso das escolas públicas primárias. Aracaju: Tipografia do “Estado de Sergipe”, 1898.
[3] Lowenthal, David. Como conhecemos o passado. Projeto História, São Paulo, n. 17, p. 63-199, nov. 1998.
[4] Carvalho, Joaquim Barradas. Da história-crônica à história-ciência. Lisboa: Horizonte, 1972.
[4] Lacerda, Francisco Carneiro Nobre de. A década republicana em Sergipe. Aracaju: Imprensa Moderna, 1906. p. 13.
[5] Lacerda, Francisco Carneiro Nobre de. A década republicana em Sergipe. Aracaju: Imprensa Moderna, 1906. p. 13.
[6] Rodrigues, José Honório. História da história do Brasil: historiografia colonial. São Paulo: 2 ed. Companhia Editora Nacional,1979. p. XVII; Topolsky, Derzy. La naturaleza y los instrumentos de la narración histórica. In: Metodologia de la historia. Madrid: Catedra, 1985. p. 465-472.
[7] A memorialística sergipana é ampla e desconhecida (em termos de inventários). Há trabalhos clássicos (Frei Vicente Salvador), relatos de catequese, impressões de viajantes europeus, biografias e autobiografias que só agora começam a ganham maior atenção dos historiadores como por exemplo: a Carta de Tolosa (século XVI), estudada pelos professores Verônica Nunes e Francisco José Alves e o Diário de Aurélia..., trabalhado por Terezinha Alves de Oliva e Samuel... Aqui, trato apenas das memórias de síntese sobre o século XIX.
[8] Fernandes, José Antônio. Informação sobre a Província de Sergipe em 1821. Revista do IHGS, Aracaju, v. 1, n. 1, p. 46-50, 1913; 358; Fontes, Arivaldo. A visita do Imperador à Estância. Revista do IHGS, Aracaju, v. 17, n. 22, p. 27-28, 1955/1958; Apontamentos históricos e Topográficos sobre a Província de Sergipe. Revista do IHGS, Aracaju, v. 3, n. 6, p. 83-122, 1916; Souza, Marcos Antônio de. Memória sobre a Capitania de Sergipe, sua fundação, população, produção e melhoramentos de que é capaz. Revista de Aracaju, Aracaju n. 1, p. 9-46, 1943.
[9] Nunes, Maria Thetis. História de Sergipe a partir de 1820. Rio de Janeiro: Cátedra; Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1978.
[10] Burlamaque, Carlos Cesar. Memória histórica e documentada dos sucessos acontecidos em Sergipe de El Rei. Rio de Janeiro, Tipografia Nacional, 1820.
[10]
[11] Informações detalhadas sobre a vida de Travassos encontram-se em Guaraná, A. Dicionário bio-bibliográfico sergipano. Rio de Janeiro: [s.n.], 1925. p. 24. O mais recente verbete sobre o autor foi cunhado por Maria Thetis Nunes em Sergipe provincial I. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2000. p. 347-349.
[12] Freire, F. História de Sergipe. Petrópolis: Vozes/Governo do Estado de Sergipe, 1977. p. 285.
[13] Travassos, J. A. S. Apontamentos históricos e topográficos de Sergipe. Revista do IHGS, Aracaju,v.3, n. 6, p. 102, 1916.
[14] Fundou A voz da Rasão com João Baptista Monteiro em 1854 e O Conciliador em 1856. Ajudou a combater o flagelo do cólera fundando um hospital em Santo Amaro. Cf. Guaraná op. cit. p. 24.
[15] Lima Júnior quis marcar no tempo os momentos de luta contra o despotismo e a corrupção. A Revolução de Santo Amaro representou a vitória da democracia, das garantias individuais e assinalou o nascimento de um partido ideologicamente definido, o partido Liberal. Lima Júnior. Francisco Antônio Carvalho. Revolução de Santo Amaro: Sergipe - 1836. Revista do IHGS, Aracaju, v. 2, n. 5, p. 251-296, 1916. Ver também Freire, F. A antiga villade Santo Amaro de Brotas: o seu passado. Revista do IHGS, Aracaju, v. 2, n. 5, p. 187-249, 1916.
[16] Travassos, J. A. S. Resposta à refutação ao memorial do Comendador Antônio José da Silva Travassos. 1966. p. 23-24, apud. Calazans, J. Aracaju: contribuição à história da capital de Sergipe. In: Aracaju e outros temas Sergipanos. Aracaju: Governdo de Sergipe/Fundesc, p. 61, 72 e seguintes.
[17] Além das duas obras citadas a seguir, Travassos produziu: Memorial sobre a Empresa de Navegação dos rios Japaratuba e Pomonga na província de Sergipe. Salvador: Tourinho & C., 1865; Resposta à Refutação ao Memorial do Comentador Antônio José da Silva Travassos sobre a navegação dos rios Pomonga e Japaratuba em Sergipe. Rio de Janeiro: Typ. João Inácio da Silva, 1866. O historiador Wladimir Carvalho indica também como sendo obra de Travassos a “Notícia histórica e geográfica desta Província” publicada no Correio Sergipense em 1847. Cf. Souza, Vladimir Carvalho de. Santas almas de Itabaiana grande. Itabaiana: O Serrano, 1973. P. 11-23.
[18] A luta pelo território foi componente importante desse processo de “identificação” de Sergipe. Ela requereria a eleição de instrumentos e metodologias para justificar o melhor critério de posse em relação ao espaço apropriado pela Bahia. Nesse sentido, os vocacionados à pesquisa histórico-geográfica ganhavam notoriedade e durante o Império receberam as primeiras encomendas do governo. O exercício da revisão bibliográfica, o estudo de mapas, de fontes arquivísticas, do depoimento oral e o auto-relato daqueles que foram incumbidos das pesquisas impulsionou, talvez, o nosso primeiro surto historiográfico, resultando nos trabalhos do bacharel Martinho de Freitas Garcez - incumbido pelo presidente Manuel da Cunha Galvão (Descrição sinoptica da província de Sergipe - 1860), do coronel José Zacarias de Carvalho (artigos no Correio Sergipense –1861), e do Dr. Joaquim José de Oliveira - incumbido pelo presidente Antônio Dias Coelho e Melo (Memória - 1864). É importante registrar que no mesmo ano em que veio à lume a Descrição sinoptica de Martinho Freitas Garcêz (1860) a Assembléia Provincial anunciava autorização para "quando a Província estivesse desobrigada de compromissos, dar 4:000$000 a quem no prazo de dez anos, apresentasse a mais completa História de Sergipe, a juizo do Instituto Histórico do Rio de Janeiro."
[19] Dantas, Beatriz Góis. Da taba de Serigy ao balão do porvir: representações sobre índios em Sergipe no século XIX. XIX Encontro Anual da ANPOCS. Caxambu, out. 1995. p. 6.
[20] Dantas B. G. op. cit. p. 7.
[21] Travassos, Antônio José da Silva. Apontamentos históricos e topográficos sobre a Província de Sergipe. Revista do IHGS, Aracaju, v. 3, n. 6, p. 84, 1916.
[22] Calazans, José. Introdução ao estudo da historiografia sergipana. In: Aracaju e outros temas... p. 13.
[23] Beatriz Góis Dantas, por exemplo, fiel ao dístico historicista “pas de document, pas d’histoire”, não utiliza a divisão geopolítica das tribos indígenas prescrita por Travassos e difundida no senso comum. Cf. Dantas, B. G. Os índios em Sergipe. In: Diniz, D. M. F. L (Coord.). Textos para a história de Sergipe. Aracaju: UFS/Banese, 1991. p. 19-60.
[24] Dantas B. G. Da taba de Serigy... op. cit. p. 6.
[25] Em meados do século XIX, uma “Província pequena como Sergipe [era] classificada pelo decreto 1.035 de 18/08/1852 como de quarta classe (seus presidentes com vencimentos no valor de cinco contos de réis)...”. Cf. Almeida, M. G. S. Sergipe: fundamentos de uma economia dependente. Petrópolis: Vozes, 1984. p. 251.
[26] Ver as definições de “narrativa” – Aguiar e Silva, V. M. Teoria da literatura. 5 ed. Coimbra: Almedina, 1983. p. 597; “gênero literário” – Tavares, E. U. C. Teoria literária. 8 ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. p. 107-160; e “memorial” – Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. 2 ed. São Paulo: Nova Fronteira, p. 1117.
[27] Cf. Rémond, René. Do político. In: Por uma história política. Rio de Janeiro: UFRJ, 1996. p. 441-450.
[28] Almeida, M.G. S. Nordeste açucareiro: desafios num processo do vir-a-ser capitalista. Aracaju: UFS/SEPLAN/Banese, 1993; Passos Sobrinho, J. Reordenamento do trabalho: trabalho escravo e trabalho livre no Nordeste açucareiro. Sergipe 1850/1930. Aracaju: Funcaju, 2000.
[29] As analogias da relação história e política foram retiradas da Conferência pronunciada por Ranke na Universidade de Berlin, em 1836, no ato solene de posse da cátedra de História, que vinha desempenhando desde 1834. O texto dessa conferência, traduzido do latim, foi incluído por Ranke em suas Obras completas. Cf. Ranke, Leopold Von. Sobre las afinidades y las diferencias existentes entre la historia y la politica. In: Pueblos y Estados en la historia moderna. México: Fondo de Cultura Econômica, 1979.
[30] Ranke, op. cit. p. 515.
[31] Langlois, C. V. & Seignobos, C. Introduction aux études historiques. Paris: Kimé, 1992. p. 255-257. Obra editada pela primeira vez em 1898.

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